História de Itabira

A história de Itabira se inicia no ano de 1720 com a chegada dos irmãos Farias de Albernaz em uma expedição saída da região de Itambé do Mato Dentro. Como encontraram ouro de aluvião na região, rapidamente se fixaram no local e lá construíram uma pequena capela.

Em torno dessa capela foram se desenvolvendo as primeiras casas dos exploradores de ouro, erguidas nas proximidades do Rio Tanque e do Córrego da Penha. Nessa fase inicial o povoado pouco se desenvolveu devido à pequena quantidade de ouro encontrada em seus cursos d’água.

Somente no final do século XVIII definiram-se os primeiros arruamentos: Santana, Rosário (parte da atual Avenida João Soares da Silva) e dos Padres (atual Rua Major Lage). Registrou-se, ainda, neste fim de século, a construção da Igreja do Rosário (1775), importante patrimônio histórico do município com tombamento nacional pelo IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

Neste período foram descobertas as lavras de ouro de Conceição, Itabira e Santana e a exigência de técnicas de explorações sofisticadas fez surgir companhias mineradoras que utilizavam a mão de obra escrava. Este segundo ciclo do ouro se estendeu até meados do século XIX.

A partir de 1808 foi liberada pela Coroa Portuguesa a manufatura do ferro e, assim, paralelo à exploração aurífera, surgem as primeiras explorações de minério de ferro no município. Esta nova atividade foi, aos poucos, substituindo a exploração aurífera que em meados do século XIX começou a escassear.

Em 1825 o povoado é elevado à categoria de Freguesia. No ano de 1833, a Freguesia tornou-se Vila e, em 1848, recebeu o título de Município, desmembrando-se definitivamente de Caeté, a quem até então respondia administrativamente.

O Município recebeu a denominação de Itabira, nome de origem indígena que significa “pedra que brilha” (Ita – pedra e bira – que brilha) e que se refere ao Pico do Cauê, importante marco geográfico da região naquela época.

Na primeira metade do século XX, a economia de Itabira sofreu influência da conjuntura econômica internacional e nacional: o Congresso Geológico Internacional de Estocolmo, realizado em 1908, divulgou o potencial ferrífero do Brasil e atraiu o interesse de vários investidores estrangeiros na região. Assim, em 1910, um grupo de ingleses fundou a Itabira Iron Ore Company Limited com a intenção de garantir as reservas de minério e o controle da estrada de ferro que seria construída entre Minas Gerais e Espírito Santo. Com o fim da Primeira Guerra Mundial, o controle da Companhia foi transferido para um grupo de investidores europeus e norte-americanos liderados por Percival Farquhar.

Posteriormente, no governo de Getúlio Vargas, foi criado o Código de Minas que proibia a mineração no Brasil por estrangeiros. Dessa forma, Farquhar estabeleceu sociedade com brasileiros e fundou a Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia. Com a Segunda Guerra Mundial fez-se o acordo de Washington: ingleses cederam as minas, americanos financiaram 14 milhões de dólares, e o Brasil fundou a Companhia Vale do Rio Doce em 1942.

A partir de então, o perfil da cidade se modificou de forma significativa. A criação da estatal Companhia Vale do Rio Doce provocou reordenação social, novo arranjo do espaço físico da cidade e firmou a mineração como a sua principal atividade econômica.

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